Vim dissecando, dia após dia, cada uma de minhas dores. Vim abrindo mais as feridas, consciente da dor, mas insatisfeita enquanto não obtivesse algum motivo, alguma razão. É difícil manter os pés no chão quando tudo tenta fazer com que você voe, quando todos os ventos te sopram com força para o alto, mas é necessário.
Digamos que deixei meus pés saírem do chão algumas vezes, admito. Mas tão logo percebi, voltei à terra segura sob meus pés. Ser racional é complicado - a gente fica com medo de se tornar frio demais. Ser racional requer sacrificar a emoção algumas vezes... Muitas vezes. Vezes demais. No entanto é o que é preciso para não se machucar ainda mais.
Então deixo a dor de lado e examino a ferida, rasgo-a, analiso-a. Parte por parte. É como ter que encontrar algo que está no fundo, constantemente inflamando e retirar para que então a ferida cure e, com alguma sorte, nem deixar marcas.
Algumas coisas vão se transformando pouco a pouco. E há dias em que a dor é maior e outros em que quase inexiste.
Deixe estar.










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